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Objetiva o autoconhecimento como forma de lidar de modo criativo com nossos problemas.

São eventos capazes de ajudar-nos a encontrar caminhos para nossas vidas.

Médica em Carazinho- RS desde 1984, hoje exerce ginecologia e psicoterapia junguiana.


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Uma gestação! Um despertar a Analista Junguiana!


 
            Foi alguns anos, uma gestação para além dos nove meses.   O processo de formação a analista está concluído. As horas de análise, de supervisão, de seminário e jornadas foram cumpridas. Após quatro anos a data do parto se aproximava e o nascimento final levou a um aprofundar ainda maior.
            Ainda em sala de “pré-parto” haveria o estudo de caso.  Este foi se movendo e trazendo questões que ainda precisavam malear-se. Junto à banca analisadora, recebi toques, semelhantes àqueles que todo obstetra sabe ser necessário e facilitador à descida em movimento de rotação do bebê. Neste caso, os toques ajudavam a separação da mulher analisada da mulher analista. As almas são individuais.
            A criança estava pronta e o vérnix caseoso que envolvia sua pele começava a diminuir. Havia que sair da água, do inconsciente, e respirar no mundo.  Tudo correu bem, a criança desceu, coroou e se via os cabelinhos.
           Criativamente as mensagens do inconsciente subiam e traziam os conteúdos necessários e, também detalhes, curvinhas e covinhas que pareciam supérfluos a uma escrita monográfica, mas que foram respeitados. 
           O parto aconteceu na sede do IJRS – Instituto Junguiano do Rio Grande do Sul.  Envolta por amigos, familiares, colegas de formação e analistas, permiti o meu despertar a analista.
           Preparei cuidadosamente a apresentação e o ambiente, com cores, odores, noturnos, flores e lembrancinhas.  
            O despertar foi para além do conhecimento, houve muito aprofundamento.  Alguns termos como o Respeito passou a ser colocado em local de Honra. Refiro-me ao auto-respeito e o respeito ao outro. Os julgamentos já haviam sido desmascarados em prol do direito a diferença.  
           Desperta novamente a relação, Eros, o amor ao todo. 
           Houve apropriação de valores que já me pertenciam.  Vou me permitir colar do meu artigo Vaso Gravídico algumas frases e citações:

           
            “A valorização positiva da experiência da gravidez parece fundamental para que ocorra uma transformação positiva na personalidade.” (GALBACH, 1995, p.162),

Fica ainda a imagem criada para este trabalho, imagem essa, que somente se apresentou poucos dias antes da conclusão do artigo: A existência de um “Cordão Umbilical Cósmico”.

A mulher é envolta por um vaso gravídico e, dentro desse, poderão ocorrer muitas transformações. Algumas serão felizes, outras de dor. A conexão desse cordão umbilical cósmico perpassa esta mulher que está sendo tocada. Seu útero poderá crescer. Seu parto, chegar. Seu bebê, nascer. Mas, além de todos os acontecimentos que se percebem, existe um potencial para um novo nascimento, um renascimento psíquico dessa mulher.

Então, nasci.
            Nas palavras de Marion: “A autoentrega total e ativa pode acabar constelando um autoencontro.” (GALBACH, 1995, p. 43).

É chegada a hora de retomar a escrita em blog. Aos poucos pinçarei partes do todo de meu trabalho que será colocado na íntegra no site do IJRS – www.ijrs.org.br

Coloco-me também a disposição de trazer algumas divagações e reflexões a respeito de algum tema pessoal, sem particularizar.

Estou em estado de Gratidão
 
 
 

 

terça-feira, 21 de abril de 2015

Pequenos Sabores! Sabores Compartilhados!

Este pequeno artigo passeou entre anjos, chocolates e café...
Cheiroso, doce a acalentado pelo ouvido dos anjos do filme Asas do Desejo.
Re-publico:

Adoro rever filmes e ir aquelas falas que me tocam. Foi em as Asas do Desejo de Wim Wenders, do ano 1987 em que anjos perambulam pela cidade a ouvir nossos pensamentos que busquei estas reflexões. Anjos estão a nos confortar, até que um anjo decide experimentar a vida humana. Ele se apaixonou, ele quer sentir as alegrias e tristezas da vida. 
Vou remeter-me a cena em que um ex-anjo diz para o outro. Eu não posso te ver, mas eu te sinto, eu sei que está aí. Gostaria de poder ver o teu rosto. Poder olhar nos seus olhos e dizer o quanto é bom “ser”. Apenas tocar algo. Isto é frio. Isto é bom. Tomar um café.  Desenhar: Você pega um lápis, faz um ponto, uma linha... Ou se as mãos estiverem frias, você as esfrega... É muito agradável. Existem tantas coisas boas.

                Existem tantas coisas boas. Outro dia, passeei por entre uma loja de chocolate repleta de ovos e de clientes, é a Páscoa chegando. A atendente surpreendeu-me quando percebeu e saboreou o perfume de meu café do Mercado recém-moído. Logo a seguir em poucos minutos o taxista também comentou aquele perfume. Dei-me conta da alegria que me causou poder passear com este aroma que se expandia. Café querido a alegrar aqueles que por ele passaram.

               Resultado de imagem para imagem café          Saboreamos junto nossos sentidos. Brincamos. Sorrimos. 
Deleitamo-nos.

                Também vi uma idosa. Uma idosa que dormia sob o viaduto da Borges. Saboreei ver aquele rosto sereno.

                Complicamos a vida. Um eterno complicar. Os pequenos sabores podem passar despercebidos enquanto a vida passa. Acreditamos que os anjos por serem eternos é que são felizes, não tem fome, sede, nenhuma tristeza. Perdemos essências por estar em eterna correria entre nossos pensamentos.

                É muito bom quando podemos nos perceber simplesmente sendo. Um arrepio. Um friozinho, um perfume, um alimento que aguça nosso paladar. Um abraço em si. Um abraço no outro.

                Um inspirar profundo. Novamente me encontro no filme quando a trapezista diz: “De novo, um sentimento de bem estar. Como se dentro do corpo uma mão se fechasse suavemente. [] A solidão significa ser por inteiro, um só. [] Não sei se existe o destino, mas existem decisões”.

                Decidamos. Por ser. Por sentir. Por simplificar. Por amar.

                E no encontro do amor a mensagem foi: “Cercar-se no labirinto da felicidade compartilhada”.  Pequenos e sagrados sabores a compartilhar.
 

Acordando o blog... Com Aldo Carotenuto

Uau...
Querido blog! Há quantos meses não te alimento?

Estou em escrita. Escrita para meu trabalho de mulher e mulheres...
Hoje, estive querendo olhar para "dores"... mas o dia estava ensolarado então brinquei com crianças.

Mas estive com Aldo Carotenuto, não o conheci pessoalmente, mas quando o leio parece-me um italiano interessante. Está em minhas mãos seu livro Eros e Pathos: amor e sofrimento, repleto de riscos e rabiscos que ficaram de minha primeira passagem.

Resultado de imagem para imagem aldo carotenuto

Posso brincar e citar alguns?

Inicialmente pegando pesado.
. "uma relação amorosa se rege por uma necessidade patológica de cada um dos parceiros, e todo amante representa a doença do outro."
"O amor, portanto, revela o homem a si mesmo."
Citado na p. 23: "de François Truffaut: Para mim um final feliz não é um casal que se reúne, mas que vai até o fim".
"Todo o discurso sobre o amor se torna assim o discurso sobre si mesmo, a confissão mais íntima."
"Não caminho por uma vereda segura em que encontro indicada a direção a ser seguida, mas numa estrada onde não existem sinais, uma via que eu mesmo traço: em tal momento eu sinto realmente que estou existindo porque sirvo se não ao outro a mim mesmo; mas, exatamente porque assumi a responsabilidade pela orientação, a consciência passa necessariamente através do temor e do medo de me perder."
" O maior erro que podemos cometer é pensar que o outro nos seduziu: eu fui seduzido pelas minhas próprias imagens, que o outro foi capaz de evocar."

"O enorme sofrimento que pode decorrer de um vínculo é fato intrínseco; não podemos rejeitar uma relação por que nos acarreta dor. Tornar manifesto os próprios sentimentos significa ter dito a si mesmos que estamos prontos a aceitar também este aspecto, mas a nossa ingenuidade nos leva ilusoriamente a caminhos que na aparência excluem tal cisão: na realidade, quando dizemos 'sim' a alguém, dizemos 'sim' à vida e à morte."

"Continuo a falar de 'coragem' porque, quando nos dispomos a comunicar experiências subjetivas, vivemos a estranha e singular sensação de estarmos abandonados a nós mesmos."

E....

"Na análise estamos numa espécie de 'desorientação pilotada', rumo a uma nova realidade, que não tem nada a ver com desejos infantis de retorno ao ventre materno, isto é, a uma condição de paz em que, como no paraíso terrestre, não existe história.
Quando, como adultos, damos 'volta ao mundo' para encontrar o nosso coração e dar densidade
à nossa existência psicológica, o que nos espera não é o Éden, mas o real, com as suas contradições e as suas dificuldades."

A grande jornada em conduzir nossa existência humana.
 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

I Ching - PAZ

I Ching - O livro das mutações


Hoje já é 6 de janeiro de 2015. Dia da chegada dos reis Magos a gruta de Jesus.
Como muitos dediquei-me neste 31 de dezembro a fazer um momento reflexivo. O 2014? E o 2015? Joguei as moedas e obtive dois hexagramas.
Enquanto folhava o livro passei pelo hexagrama 11, T'AI / PAZ.

]

O que está escrito com respeito a PAZ:
PAZ. O pequeno parte, o grande se aproxima.
Boa fortuna. Sucesso,
Uma época em que o céu parece estar na terra. O céu colocou-se sob a terra, e assim os dois princípios unem seus poderes em profunda harmonia.
Essa união traz paz e benção a todos os seres.

Quando isto foi escrito? I Ching, o Livro das Mutações surgiu no período anterior à dinastia Chou ( 1150 - 249 a.C.)

Diz ainda: No âmbito humano isto representa uma época de harmonia social. Os poderosos voltam-se para os humildes, enquanto esses se mostram amistosos em relação àqueles, terminando assim toda hostilidade.  

Sonhos valorizar:

Ascânio Jatobá diz no vídeo:
"Sonhos é como se todo o dia alguém colocasse uma barra de ouro em nossa porta e a gente jogasse fora."
Cabe valorizar.

Sonhos - videos

Tive a oportunidade, há 9 anos atrás a oportunidade em partilhar um sonho meu em um encontro com o especialista em sonhos Ascânio Jatobá. Meu sonho era assustador, era angustiante e compartilhei. Foi uma experiência marcante e me trouxe muitas respostas e possibilidades.

Hoje olhando no you tube, reencontrei-o e assisti algumas das inúmeras entrevistas dele. Recomendo.
 https://www.youtube.com/watch?v=Vv--tM6fcPk

https://www.youtube.com/watch?v=HVlQ0p3vxEA


Coloco duas o Ascânio coloca de uma forma muito claro o valor dos sonhos, dos símbolos, da Psicoterapia Junguiana. 
E com 90 minutos de sonhos por noite... por que não fazer uma tentativa e transformá-lo em símbolos e por que não usufruí-los e obter respostas para o meu viver?

Proponho estes vídeos.

Sonhos: E quem não lembra?

Já nos primeiros encontros em uma Psicoterapia Junguiana o analista pergunta: e seus sonhos? Você tem sonhado? Lembra de algum para me contar?


 


O analisando vem a procura de respostas capazes de resolver suas questões e o que acontece é uma nova relação. Uma relação entre duas pessoas em que o que é privilegiado não são as respostas e nem os caminhos prontos. A ideia é caminhar juntos e neste passeio muitas vezes novas atitudes serão geradas.
Mas e os sonhos?
Muito frequentemente o analisando diz; eu não sonho. Ou ainda, se sonho não me lembro.
Como trabalhar com as imagens do inconsciente se elas parecem ão aparecer?
O que tenho observado é que a medida que o diálogo começa imagens constelam. Como se estivesse mais alguém ali a falar, que não é o analista, não é o analisando, não é o sonho não lembrado... Algo colore o ambiente, um tópico, gesto, imagem vem e  se cria o "temenos" , o espaço sagrado, em que a sessão acontece.
E inúmeras vezes de repente... uma imagem de um sonho  traz aquelas luzes necessárias à resposta que se procurava.