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Objetiva o autoconhecimento como forma de lidar de modo criativo com nossos problemas.

São eventos capazes de ajudar-nos a encontrar caminhos para nossas vidas.

Médica em Carazinho- RS desde 1984, hoje exerce ginecologia e psicoterapia junguiana.


sexta-feira, 2 de junho de 2017

Disse Jung

O provisório da existência é indescritível.
Tudo o que fazemos - se observamos uma nuvem ou cozinhamos uma sopa - nós o fazemos no limiar da eternidade e é seguido pelo sufixo da infinitude. É significativo e ao mesmo tempo fútil.
E assim somos nós também: um centro singularmente vivo e ao mesmo tempo um momento que já passou. Somos e não somos.

Em carta à Aniela Jaffé...
16/9/1953... Querida Aniela... Cordialmente seu C. G.

 

Sonhos repetitivos!

Sonhos vivem.
Sonhos apresentam imagens e elas vão se modificando noite a noite... tempos em tempos como uma música que segue a próxima nota, acorde, e, muitas vezes repete a mesma frase musical.
Parece que quando a mensagem está apreendida, ela manda novas notícias.

Esta noite, após inúmeras vezes que um sonho se apresentava, ele se completou e a mensagem chegou.
Vem uma mensagem, vem diferente, se complementa, até que se completa uma imagem e a partir deste lampejo de consciência, novos caminhos.

Deixar-se levar! Seguindo pistas!


Deixar-se levar. Mediado pela curiosidade seguindo a correnteza.
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Este tema me toma como uma brincadeira e tal qual uma sincronia leva minha psique a novas atenções como se para mares diversos ou ilhas...

Neste mês tenho ido ao Oriente. Meu celular me indicou em seu comportamento nada aleatório uma musica no you tube.

Num primeiro momento chegou Shigeru Umebayashi, compositor japonês. A partir dele seguindo as pistas, agora com o conhecimento de que ele cria trilhas sonoras de filmes cheguei ao diretor de cinema Chinês Zhang Yimou.   Passei a procurar por seus filmes. Em A maldição da flor dourada, a grandiosidade das cores encantaram minhas retinas, enquanto Shakespeare parecia estar ali em seus dramas familiares. Segui esta pista e pouco a pouco estive com a cultura chinesa. Do espetáculo a singeleza de vidas comuns.  

Trazer este comentário se deve a perceber as tramas da vida se repetindo e sendo mostradas pela arte.

 Nova pista, Edward Yan, o filme de 2000, Yi Yi, As Coisas Simples da Vida, encontro em artigo de Ruy Gardnier:  “ este: yi yi, um e um, trata-se antes de uma crença firme no poder de criar imagem, de acreditar que sobre a realidade (um yi) deve se comentar (outro yi), ou,  mais simplesmente que um ato deriva do outro, e que este novo ato irá ser derivado de um outro. Em uma palavra; consecução.”   

E eu, na simplicidade solitária procurando um yi um ato que deriva do outro em consecução.

Nesta viagem, em deixar-se levar pelas correntezas marítimas, estive na China, fui iniciada e trouxe a meu imaginário novas faces e fisionomias, falando e representando seus sentimentos e emoções. Relacionei-me. Simpatizei. Fui tocada em empatia.  

Mas o celular não parou e me colocou Pëteris Vasks, compositor da Letônia e sua composição Plainscapes acompanhado de pinturas de Hu Jundi, artista chinês que deixa transparecer em suas pinturas mulheres leves, serenas, como poemas.

Deixar-se levar. Viajar pela música e imagem talvez tenha faça parte da “consecução” de um para que desconhecido.  

sábado, 13 de maio de 2017

Essências Grifadas - Quando experiências materiais nos tocam


           Há alguns anos quando comecei a timidamente brincar de blog, e, diga-se de passagem, continua um movimento escasso, tinha nominado este espaço de “Essências Grifadas”.

            O passeio pelos terrenos da vida mudou também o formato do blog. Mas, em essência o que me levava a escrever, era seguir o meu hábito de grifar, minhas leituras desde minha juventude que já se foi, a lápis, como forma de não rasurar o livro. O lápis se tornou 6B, e as páginas dos livros amarelaram, mas deixam um sinal, livro pouco rabiscado e sem conversas internas, ainda não foi bem abraçado.

            Bem, estou em Cartas de Jung e encontrei uma riscaria, ou seja, há que rever, dar uma nova forma para mim e talvez para você.

            Trata-se de uma carta escrita em 10/01 de 1939 a Fritz PFäfflin:   Jung respondia com respeito a uma experiência deste com um irmão que havia morrido na qual houve uma conexão direta entre o acontecimento na África e a consciência do remetente.

            Diz Jung,

                   “Na minha opinião só existe uma explicação para isso, isto é, que a distância espacial é relativa no sentido psíquico. [ ] De alguma forma, nossa psique deve ter a capacidade de anular o espaço e o tempo, ou em outras palavras, a psique não está completamente dentro do espaço e o tempo. É bem provável que só esteja encerrado no tempo e no espaço o que chamamos de consciência, e que a outra parte da psique, isto é, o inconsciente, esteja num estado de relativa inespacialidade e  e intemporalidade. Isso significa para a psique uma relativa eternidade e uma relativa inseparalidade em relação às outras psiques, ou seja, uma comunhão com elas.” (Cartas volume I - Grifos meus).
 
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                               Tratou-se de uma conversa póst-mortem. Espontânea a não sem riscos. “Tudo indica que sua conversa com seu irmão foi uma vivência genuína que não pode ser ‘psicologizada’.

                               Mas o que me levou a postar este trecho foram suas palavras no que se refere a eternidade e comunhão entre as pessoas quando olhamos para a psique inconsciente.  
                        Se, para alguns, isto soa óbvio, para outros, este inconsciente sem tempo, nem espaço, eterno e em comunhão com todas as psiques ainda não apareceu no horizonte para tornar-se visível

Reflexões matutinas!




         Acorda-se pela manhã e estar consciente nos reconecta com a entidade noturna que esteve falando, orientando e talvez, anunciando.

            Vejo, na morte do consciente noturna, o mundo de vida do inconsciente, e nosso fio condutor de vida. Nossos sonhos, nossos anjos.

            Então neste dia, parecia ainda madrugada, escuro e com chuva, perdi o sono, mas, afinal já era dia. Lembro apenas que sonhava com situação trivial que pareceria difícil mas que havia, logo ali, uma solução criativa.

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            É manhã, é sábado e resolvi ler. Minha biblioteca está muito grande, possibilitando muitas combinações de autores, pensamentos e reflexões, Tanto a disposição, parecendo ser impossível de abarcar. Pequenas escolhas. Ou ir a deriva.

            Estou ciente que ler e misturar tem me ajudado a me tornar eu mesma. E que estas ferramentas geram em mim, novos toques, cores, tons, acordes.   Úteis ora para o presente imediato, ou para um passado esquecido, talvez ainda em complexo (conforme a visão Junguiana), ou até mesmo para um momento oportuno do “mapa” de minha vida.

            Seria um líquido mágico a ser aspergido, ou ainda um pó a ser ventilado?

            Estive lendo volumes de cartas de Jung. Esta leitura sempre me trás uma sensação de intimidade com ele. De minhas últimas passadas por estas cartas ficaram em grifos com meus grafites, ciitarei alguns poucos neste primeiro momento:

            Carta para Hugh Walpole, em 14/11/1930: “Os deuses só vivem na criatividade [ ]“Espero ter tempo para escrever um livro, Este é o sempre o melhor tempo que se pode ter.” 

            Gosto também de sua expressão “espírito da época” E aí amplio que para compreender esta expressão, escrita em 1935.

            Hoje, 2017, cabe ler indo além, desde minha época pessoal, coletiva, bem como a atuação deste espirito em diferentes idades físicas de quem reflete. Será diferente para uma criança, adulto jovem, maduro, imaturo, idoso ou senil, referindo-me aquele que já esta sendo cuidado.

            Qual o espírito da atualidade?   Ele segue nesta carta ao Prof Friedrich Seifert. 31/07/1935: “Este desenvolvimento, porém, é um assunto complicado pois não se trata de seus conteúdos que, por assim dizer, sempre foram os mesmos dentro da história da cultura, as da forma”.

            Em sendo os mesmos conteúdos, quais as formas que estão em nossa época?

            Vou escrever dentro de minha pequenez, vivendo em uma realidade sem academia, com leitura singela íntima de minha historia experiencial pessoal em pequena clinica privada, porém de profundas relações físicas e psíquicas como médica atuante e analista.

            Continuamos sendo carentes, e talvez esta grande carência seja provinda falta de um solo firme. Um solo capaz de nos afastar, ou de proporcionar a criatividade - o encontro com os deuses – de forma a escolher como viver com o inexorável, nossa e finitude.

            Aqui, relato um diálogo, de há dois em que eu e amiga paciente conversamos sobre nossa curiosidade com respeito a experimentar a morte.

            Discursa-se muito. Formam-se grupos de aconchego, chamados workshops, ou ainda, treinamentos, ou atém mesmo, congressos, criando “ismos” temporários apaziguadores de nossos medos. Por períodos deixamos de ser só, e silenciosos.

            Ficamos acompanhados por associações que nos levam a nos sentirmos parceiros de pessoas que pensam como nós.  E isto é bom. Desde que: a solidão e o silêncio não percam o seu templo.

            Há também grupos que seguem como em rebanhos.

            Há também aqueles que negam qualquer necessidade de pensar além das cores e marcas dos acessórios que levam ao pertencimento da vida “aplaudida”.

            Temos desde pequeníssimos templos a enormes. Templos materiais que tem perdido espaço aos virtuais, onde a matéria, do poder, deuses com cifrões, e comportamentos que parecem transmitir segurança. Alguns menores que até parecem altruístas e que podem nos afastar de nós mesmos.

            Até o bem pode ser feito de forma equivocada ao todo.

            Temos pequenos fazeres que se tornarão grandes plantações à humanidade.

            Como não admirar aquela semente que o pequeno pássaro distribuiu em outros terrenos via evacuação? Que ato divino criativo?

            Enfim, agora chove muito. E chuva também me conecta.

            Amanhã é dia das mães, vou a um templo de consumismo criativo, pois, amanha que ver o sorriso de minha mãe com a alegria de receber um pacotinho de algo que está precisando, para minha alegria de filha.

            O espírito da época nos conecta, mas também nos dá o arbítrio da escolha em com o quê quero me relacionar.
            Bom sábado chuvoso e um especial dia das Feliz Dia das Mães, aquelas que mães que não pariram, e, que embora não tragam ao mundo sua carga genética multiplicam o mundo em amor com os seus atos.
 

    

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Alma, o verbo em conjugação.


Verbo? Um engano? Erro de digitação? Não seria verbo amar?  To love? Não ,o verbo que quero conjugar é o almar, to make soul, fazer alma.

Bem...
Eu almo. Tu almas e ele alma, nós...
Mas, o que infelizmente o que mais acontece, é que se verbo e conjugado,  é no futuro do pretérito do indicativo, geralmente seguido de um ‘se’...
Eu almaria, se...
                Nós mesmos colocamos, ou ainda, gentilmente, pode-se dizer permitimos que se coloquem interferências em nossas experiências...  Eu faria alma. Eu almaria. Tu almarias, mas...
                Alguns já almaram, certa vez, aquela em que... Nasceu uma criança ou fez uma meditação...
                Há o esperançoso que almará quando der, quando receber uma graça.
                Há o que expecta que ele me alme, ou lhe alme...
                Ao partir para as conjugações verbais em português pode-se apenas brincar com o verbo... tão pouco conjugado ou ir a reflexão.
                Cabe não esquecer que a palavra alma, nem mesmo verbo é, logo, nem se conjuga.
                Então... Já que tudo é brincadeira... Vou me perguntar e deixar no ar...
                A voar como pena ao vento...
                E eu?
                Quando almei pela última vez? Percebi? Ah... lembrei.

                E hoje, já almei?
                Sabe aquele instante fugidio... Indescritível...
                Desejo que tenhamos múltiplos e repetidos momentos almados de forma a poder dizer apenas a nós mesmos
                                                              Como tenho  Almado... Eu almo!

 

sábado, 17 de setembro de 2016

Hoje, estou com minha alma ampliada ... Feliz.

Entao... decidi citar de Verena Kast: " A princípio, a alma não rende lucros-  mas se torna um fator decisivo quando a alma se recusa a cooperar, quando nossa psique ' não aguenta mais' , quando perdemos a nossa alegria de vida, quando nosso corpo adoece e quando sofremos com depressoes e com a síndrome do fósforo queimado. Talvez, então, faria sentido dar  atenção para a alma? "

É muito bom estar com a alma acesa...