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Objetiva o autoconhecimento como forma de lidar de modo criativo com nossos problemas.

São eventos capazes de ajudar-nos a encontrar caminhos para nossas vidas.

Médica em Carazinho- RS desde 1984, hoje exerce ginecologia e psicoterapia junguiana.


domingo, 2 de julho de 2017

A fala... Espiralando sobre a fala!


Em passeio por livros já lidos, existem sempre alguns que ainda não estão bem apreendidos.
Este livro volta à cabeceira, vai e volta também na bolsa, pois sempre se tem alguns minutos para se relacionar com ideias, palavras em imagens, como se fosse uma guloseima.
Reinicio pelos grafites.
Pequenos trechos marcados e rabiscados por mim a lápis.


Relendo June Singer, Analista Junguiana sobre a fala:

Trazer para fora o que há em seu íntimo exige o ato de falar.
Isto é mais que estar disposto a saber ou entender.
é comunicar-se para um outro ser humano a verdade de quem você é: é colocar-se diretamente em risco, expor a própria veia jugular.

Deixar de realizar esse é ato é depreciar-se, julgar que tem pouco valor como pessoa, reprimir a ponto o que há a ser dito que chega enfim a ficar como água em vida estagnada.

Sem essa espécie de comunicação, a pessoa se fecha sobre si mesma, torna-se temperamental, doente e deprimida.

Abrir-se com uma outra pessoa é um ato que gera vida, como foi no início, quando saiu do útero.

 Neste pequeno parágrafo, que ousei separar em 4, para não perder seu perfume, li e reli, passeei e divaguei.
Há o que fala e o que cala. Ora por que não acredita em si. Ora não acredita no poder de sua fala.
Ora cala por que consente, ora por que reverencia em sagrado.
Há o que fala demais e de menos.
Novamente o espectro vai do infravermelho ao ultravioleta.
Há o que fala macio, mas, também há fala aos trancos e barrancos.
Há a fala que aproxima e a fala que afasta.
Cada um tem sua fala.

Vou negritar do texto de June algumas palavras...
Trazer para fora  [] expor a própria jugular.
Deixar de realizar [] depreciar-se  água estagnada.
Comunicação  como forma de ser saudável
Abrir-se é parir.

Eu, e certamente você,
Já falei demais e foi necessário, mesmo que apenas pequena parte tenha sido sinapsado.
Já falei de menos e faltou um pouco.
Já não tive palavras e fiquei sem comungar.
Já tive palavras e houve comunhão.

Já usei do ato sem a palavra, e a palavra chegou depois.
Já fiquei com o silêncio e com o toque.
Já pari no silêncio.
Já pari com as vistas molhadas.
Já fiquei sem palavras e comunguei.
Já encontrei palavras apenas nos gestos.
Já ouvi palavras não ditas a meus tímpanos e sim a meu Ser.

De peito aberto, e dói, é que se vive.
A mesma vida que gera se gera em espiral.


 

sábado, 1 de julho de 2017

Coisas simples e sagradas

Tem dias que agente acorda inspirado... Neste, a fala ou as atitudes são como que desencadeados em alta velocidade, vêm pensares, sentires e ânimo.
Já em outros a gente sente que quer, mas que há que mergulhar, apaziguar, recolher, fechar...
Mas, fica a ânsia na quietude...

Pincelo então um pouco do que me rodeia...

A Direita... anotações a lápis em bloquinho de armazém, daqueles antigos em que a simples anotação do vendedor já era compromisso de pagamento e se vinha para casa com suprimentos  colocados em sacos de papel, por uma concha que só lá vi.
 
Mas este bloco... estava na gaveta do consultório. Nem sei como veio parar ali.
Era feinho para... anotações mais dedicadas a estética.
O lápis também não ajuda... tem risco fraco.

Uau... Bloquinho... no consultório...
E por aqui este lápis que no meu "criado-mudo" ?
Mas, agora, já há dois dias eles estão se relacionando e eu de intermediária.

Decido. Vou olhar para eles.
E, ver...
Que pérolas anotei?

Agora, respeitosamente, ou ainda, religiosamente, os toco de modo diferente, um já tem idade, e o outro risca fraco. Estão repletos de adjetivos e estamos nos relacionando.

Com licença bloco permita-me que  leia e transcreva o que me deixaste marcar com o grafite fraco?
Permita-me grafite decifrar as "espirais" que fiz com teus rastros liberados.

Pego-o agora:
Assim está escrito:
  .. tudo se auto organiza....
Tudo na natureza está vivo e se auto organiza.
 
***
 
Observar dentro de nós.
Cultivo focado num ponto de consciência disciplinado que é a essência do Hara.
Urso forte - Hara  forte.
 
***

 Aos poucos ... fui relembrando que são anotações enquanto assistia um vídeo do you tube. Vou transcrever como anotei...

Bees  ponte entre o micro e macrocosmo. Existe apenas um coração que conecta todas numa mente coletiva, se assim preferir, como um cérebro aberto, a colmeia envia seus sonhos ao mundo para que possa se manifestar.
 
***

Também copiei e citei de Goethe:
 
A beleza é uma manifestação das leis secretas da natureza,
que de outra maneira
estariam ocultas de todos nós para sempre.
 
***

Sintetizo, dizendo que embora não estando em momento inspirativo, algo se impôs, um bloquinho, um vídeo, um lápis que escreve fraco para reverenciar a natureza, não sem antes respeitar os instrumentos que me permitiram guardar na memória escrita estas poucas frases.
Repito, e a cada dia fica mais claro para mim o quanto tudo realmente está vivo, pedras falam, carros ficam tristes ( lembrei de seu Meu Fusca Falasse), também pinças, bisturis, querem cuidado e carinho.
Temos padrões que vemos em teias, nervuras de folhas ou ao olhar uma árvore se projetando aos céus. O que vejo na arte da natureza, vejo e venero na arte do corpo humano.
Resultado de imagem para graphite e carvãoMesmo  não tendo, ainda, retinas capazes de perceber as espirais energéticas, as físicas já estão claras enquanto algumas outras o vento mostra, aponta, ou o lápis rabisca.

Não se trata mais de crença e sim de Fé, para além de eu procurar ou não via ciência, já não preciso, sei que o Universo está interconectado  e que há um padrão espiral em tudo.

Traz-me felicidade ser do tempo em que a confiança se transmitia com o olhar e um aperto de mãos, traz me saudades do tempo em que professoras mesmo que focadas no ensino pedagógico, nos faziam fazer rodas para cantar e dançar (mandalas), escrever a lápis, apontar o lápis com apontador... e ver as espirais de madeira que saiam para que pudéssemos ver o grafite.






Imagem relacionada
 
Foram também estas mesmas professoras que me ensinaram a colocar o primeiro grão de milho no algodão com água e observar o seu nascimento espiralado. Estava me ensinando cosmos, estava acionando em mim a deusa Deméter, criando em mim a ânsia pelo movimento do dia seguinte apenas para ver a Natureza em manifestação. Era aula de religare.

Gratidão
 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Questionando com James Hillman nossa Cara





A América Perde a Cara. Se é no rosto que começa a ética da sociedade, então o que acontece com uma sociedade onde o rosto envelhecido é alterado cirurgicamente, domado cosmeticamente e seu caráter acumulado é falsificado? Qual o dano ético que ocorre quando a face dos idosos raramente está à vista? Ou se os rostos idosos à vista são aqueles que foram pinçados, esticados e levados diante da câmara para elogiar um produto? Ou aqueles que não foram melhorados e parecem suficientemente dignos de pena para sentimentalizar?
Para o bem da sociedade, o rejuvenescimento cirúrgico do rosto deveria ser proibido? Isso é um crime contra a humanidade. O que fazemos com a nossa imagem visível tem implicações sociais. A nossa face é o Outro para todo o mundo; se ela já não desnuda sua vulnerabilidade essencial, então os motivos para amar, a exigência da honestidade, o chamado à resposta, nos quais se apoia a coesão social, perderam sua fonte original.


Após esta citação apresento duas lindas faces.
A mulher mais linda que conheço,
Liv Ullman.
Imagem relacionadaE James








Resultado de imagem para james hillman

 

Lendo Hillman

Se já não imaginamos que "os objetos retribuem o nosso olhar",  então as coisas à nossa volta não provocam um desafio ético, não tem apelo.

Não são parceiros de diálogo com os quais se consiga um relacionamento Eu-Tu.

Uma vez que a alma do mundo perde a sua face , vemos coisas, em vez de imagens.

As coisas nos pedem para serem possuídas e usadas, tornando-se propriedades.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Uma água perfumada ao Blog


Mesmo que se queira, ou se siga conselhos: "escolha as prioridades" não se dá conta.
Realizar nossos desejos de corpo e alma, nos coloca diariamente em reuniões internas.

Este meu blog, é um espaço para aspergir  pensamentos, grifos.
É um espaço em que desejo colocar gotas aquosas de alma que possam umedecer um leitor distante.

Tento em minha vida seguir pistas, cores, sons, imagens e com elas tentar fazer o caminho a mim dedicado.

A lida entre o livre arbítrio do ego e os caminhos do daimon,  da semente, dos propósitos, dia a dia, instante a instante, estão como dois irmãos a brigar, aos chutes embaixo da mesa, a chamar atenção de seus pais.

Aí, ora se prioriza um fazer, ora outro.
Assim é comigo. Mas, já aprendi algumas lições.
Aprendi que nem todos são assim, tem os que priorizam o não fazer isto ou aquilo, e são assim.
Cabe a mim observar, ficar atenta a meu jeito de ser com extrema fidelidade a mim mesma.
Mas aprendi também que, às vezes, me boicoto.
Lentamente em aprendizado passeio entre a escolha do possível e do deixar vir.

A lida continua e tenho aprendido a olhar a "frase musical". Aquela que olhando para trás se vê o evento para além.  Ver que foi no desenrolar dos empecilhos que se chegou a um novo fim.
Nem sempre enxergo.

Mas, agora tudo o que quero é cuidar deste blog. Colocar pérolas e perfumes a sprear.
Não sou artista, aquele que cria repleto de estética, e, também não tenho recebido do plano coletivo nenhuma inspiração de arrepiar.
Em falando de vida... ousaria.... dizer:


Viver. Apenas viver.

Viver com qualidade, com bom humor.
Viver o lado bom da vida, não seria um engodo?
Aonde vou colocar o meu outro lado?

Viver, apenas viver?
Não seria assaz superficial?
Há medida?

Viver. Viver em condicional.
Viver desde que feliz.
Viver vida longa, desde que com qualidade.

Viver desde que feliz.
Viver desde que com a caixinha dos transtornos,
escuros, rascunhos, rabiscos, quebrados, estragados e enrugados fique fechada e escondida.
Rusgas, rugas, pedras e doenças. Chuvas e trovoadas. Equação ganho e gastos positiva.

Apenas viver.
Como fazer?

Deixar-se levar pela correnteza, mesmo quando um galho na barranca do rio
se oferece para que eu transforme meu percurso?
Deixar-se levar pela correnteza, mesmo vendo o galho e um outro tu, precisando de ti?
Um tu, outro humano que não é nada meu?
Como escolher caminhos?

Pode-se levar vantagem.
Viver chegando antes. Salvando o seu.
Pode-se esquecer de levar vantagem, e, ter novas oportunidades, ou não?

Apenas viver.
Haja lida.

Viver com luz e escuridão.
O trabalho de olhar ao espelho e reconhecer-se aí.
Haja coragem.

Fazer do dedo que aponta um circulo. Uma  mandala a nós mesmos.
Apenas viver.
Arte difícil.

Há o ponto on , o primeiro choro da maternidade, o choro brado que aponta a todos como a chegada. Há o ponto off,  que com gemido ou suspiro, libera um pranto nos espectadores que amam ou temem.

Viver. Partir do ponto on ao off  e fazer a travessia.
Dar conta do tempo espaço do meio.
Dar conta do meio, num meio.
Viver num meio ora dócil ora hostil.

Viver sua história.

Viver sem culpa.
Viver sem jogar a culpa.
Sem pragar, sem se horrorizar,

Viver não é fácil. Viver não é difícil.
Viver é viver.
Viver é tensão.
Viver é opção, é não opção.

Viver em atenção ou desatenção.
Acordado ou dormindo.
Viver é atentar.
Mas,
há faróis, é, dançam por diferentes paisagens.


Em oração o meu aspergir para que:
Hajam lampejos. Hajam focos.
Sonhos. Música. Pinturas. Poemas. Literatura. Odores. Carinhos.
Mansidão.

 

domingo, 4 de junho de 2017

Palavras de Jung

Ler suas cartas nos toca ao sentir sua docilidade. Nesta relata à psiquiatra e analista Kristine, que estava com câncer e que veio a morrer logo após recebe-la sua experiência de quase morte (EQM).

1/2/1945 To Dr. Kristine Mann

"... informou-me de sua doença [] espero que uma boa estrela faça chegar-lhe esta minha carta.
Como a senhora sabe, o anjo da morte derrubou-me também e quase conseguiu riscar o meu nome de sua lista de vivos. Desde então fiquei quase inválido e venho recuperando-me..."

Segue contando de sua experiência... " A única dificuldade é livrar-se do corpo, ficar nu e vazio do mundo e da vontade do eu. []é algo inegavelmente grandioso. Eu estava livre, completamente livre e inteiro, como nunca havia me sentido antes. Eu me sentia a 15000 quilômetros da terra e a via como um imenso globo brilhando numa luz azul, indizivelmente bela. []

Lá havia plenitude, significando satisfação, movimento eterno ( não movimento no tempo).

[] O que quer que se faça, sendo feito sinceramente, tornar-se-á eventualmente uma ponte para a nossa totalidade, um bom navio que nos conduzirá através da escuridão de nosso segundo nascimento, que no aspecto externo parece morte. Já não viverei por muito tempo. Estou marcado. Mas felizmente a vida tornou-se provisória. Tornou-se um preconceito transitório, uma hipótese momentânea de trabalho, mas não a própria existência.
Seja paciente e considere isso uma tarefa difícil, dessa vez a última.
I greet you
(Carl g. Jung.)"
Imagem relacionada


Kristine, faleceu a seguir e Jung ainda viveu aproximadamente  mais16 anos de sua EQM e desta carta.
Fica para nós um depoimento em que presenteio com grifos:  O que quer que se faça, sendo feito sinceramente, tornar-se-á eventualmente uma ponte para a nossa totalidade....

E o conselho:  Seja paciente e considere uma tarefa difícil, dessa vez a última. 

10% de Desconto


Houve um tempo de cortesia.  Não se pedia desconto. Afinal o mercador, fornecedor de seu serviço pedia pelo valor que julgava bom pelo seu serviço. Até se podia perguntar ao lado, ou fazer pesquisa, e, algumas vezes se recebia a gentileza de um desconto.

Tempos mudaram. Tornou-se comum, frequente, indelicado ou não, algo trivial e até esperado. Em termos de números também, um centavo foi tirado das etiquetas. Hoje tanto para o vendedor quanto para o comprador acrescentou-se mais sílabas e palavras, levando um a soletrar e o outro a pensar. Um engano ao cérebro?

Mas, o que quero é criar uma questão: O que deste comportamento de que mesmo cobrando um valor para qualquer serviço prestado, esteja institucionalizado o pedido do desconto? Não se trata mais do preço justo? Não se espera que o que me oferecem e ofereço tenha este valor?

Outro comportamento cada vez mais frequente é a ideia de que a todos os compromissos seja destinado um pouco menos de nossa dedicação.  10% menos. Sou contratado para 100, faço 90%? A dedicação está com desconto. A gentileza está com desconto. Um up que pode ser deixado para a próxima. Dar um pouquinho menos da medida, e, acredito mesmo, que muitos nem percebam.

Resultado de imagem para MÃOS DADAS

Acredito que precisamos de conexões, em que um só largue da mão do outro quando o outro já pegou, apreendeu. Acredito que se cada um der um pouco mais fica mais fácil para todos.  


Usando a imagem de duas fitas a serem coladas penso que caso se deixe um espaço –um vão – entre elas (a menos que elásticas), talvez não colem. Um pequeno toque, cruzamento fará toda a diferença.

Pode-se varrer só até a porta. Passar plantão antes do outro plantonista, cuidador, funcionários, responsável, chegar.  Ver algo caído e deixar para o outro levantar.

O capricho do sapateiro ao limpar o sapato, quando sua função era apenas arrumar o salto, ou ainda alguém que vai a consulta de análise e recebe orientação para a febre. Ver algo que não está funcionando e avisar, ou ainda, se simples resolver. Apagar uma luz desnecessária.  

Onde ficou este olhar para além? A mão que se estende um pouco mais? Além  da reponsabilidade ou trabalhista? Também está com 10% de desconto?

Já me referi muitas vezes este comportamento de forma pejorativa, como mãos curtas.  Mas, afora os pejorativos, foco aqui para a questão de onde veio esta ideia de que somos explorados?  E onde fica o fraterno? A troca? A gentileza? O desconto oferecido sob a forma de um olhar atento a necessidade alheia e coletiva?

Persistem e agradeço muitas pessoas que partilham seus 100% humano e até um pouquinho mais.  Neste final de semana convivi com muitos.