domingo, 10 de junho de 2018
Mudanças e Transformações: Diversidade e Múltiplas Possibilidades
Posso ser diferente? Posso fazer e deixar minha obra? Somos todos diversos e infinitas são as possibilidades!
É possível transcender, libertar-se e criar-se.
Cabe a cada um a libertação de seu vir a ser.
São infinitas as possibilidades. A diversidade também.
Quem não sabe?
Então o que faz que passamos nos colocando pequenos limites e os estancamos? Sim, há necessidade de vasos, mãos de contenção, toques que acalentam conexões, conhecimentos, na linguagem moderna links.
A extensão das possiblidades de nossa vida é intensa, então para que colocar um limite no que já se sabe ser ou fazer?
Nestes dias tenho imergido em entrevistas com grandes maestros, brinquei de detetive musical, queria, além da música, conhecer, ter intimidade com a voz do maestro, seu jeito, o que pensa. Aí fui me apaixonando pela história facilidades e dificuldades de muitos deles.
Comecei de mansinho. Tudo começou com a questão: Como se pronuncia Karajan?
E um fio condutor me levou a ouvir sua voz, vê-lo criança, jovem, idoso e já falecido. Aí, chegou outro: Sir Solti sua voz, família e maestria.
E este fio condutor começa a fazer um colar, um caminho, gostoso, sem objetivo consciente. Já sei que se diz: Kara(ian). Também já acessou em minha alma um sentimento de tristeza junto a Georg Solti, quando ele conta ter se despedido de seu pai em uma estação férrea para pequena viagem e que devido a guerra recebe uma carta de sua mãe dizendo: Não volte. Nunca mais viu o seu pai.
Dia a dia somos conduzidos por infinitas possibilidades, escolhemos uma principal, e as infinitas seguem. Acontece assim e também assim. Limitados em perceber talvez precisemos da entrega de um perfume ou de uma música. Quero dizer com isto que não se pode seguir só a mente, ou só o coração, há que se deixar levar e, muitas vezes, saber voltar, ou não, de acordo com as infinitas possibilidades.
Quero dizer que o vaso da vida, família, profissão, nos protege, mas uma vez, misturado e aquecido, pode-se mudar de vaso, ou até mesmo ficar fora do vaso à procura de novas e diversas maneiras de ser, fazer, pensar, ansiar, esperançar e amar.
Termino esta curta postagem trazendo parte do que consegui entender. Ontem a noite me encontrei com Sergi Celibidache, maestro romeno (1912-1996).. Ele falava em francês, vinha uma legenda em inglês, sou pouco alfabetizada em ambos idiomas, mas seus gestos, sorrisos, entonação, e uma empolgação extraordinária me deixaram querendo ver sua atuação. Estou apaixonada por ele.
Suas características foram diversas de Bernstein, Karajan, Solti e muitos outros. Ele ao acrescentar um ‘tempo mais lento’ ao reger um mesmo concerto, também de forma brilhante ele me pareceu estar mostrando a individuação daquele momento, dando aquela nota musical o seu tempo de vibrar. E a música se liberta.
E eu, com minha vibração, de infinitas notas, possibilidades, como criar, liberar a minha criação? Como poderei eu, humilde ser homem, ou mulher, transcender? Libertar-me de padrões, vasos bons ou simplesmente vasos, instituições e usar os nossos instrumentos experienciais para trazermos ao mundo a nossa criação?
Como? Existe como? Cabe querer, escolher. Movimentar-se. Parar. Acrescentar, ousar, ansiar, recomeçar, seguir, vibrar.
E dando um salto enorme, ainda musicalmente falando, como na ópera Turandot de Puccini com: Esperança. Sangue e Amor.
sábado, 9 de junho de 2018
O nós como salvação!
Estou lendo Jane Fonda. Leitura fácil. Leitura gostosa. Leitura com pequenas associações entre duas palavras, pequenas frases que me levam a interromper no final do capítulo, pela profundidade na simplicidade o que leva um tempinho para apreender.
O tema é simples e para mim, a vida em seu terceiro ato. Os meus (teus) sessenta anos em diante, até quando for (mos).
O livro que estou lendo é emprestado. Penso que ele apareceu para mim há dois anos recomendado por minha amada analista que começava a lê-lo. Mas o Universo Sempre Conspira, e uma amiga também o lia. E, agora estou com o dela, lendo lenta e cuidadosamente sem rabiscar. Então anoto partes. Só que, nem eu mesma entendo minha letra.
Anotei este trecho para repassar. E como mulher aos amados homens, parceiro, amigos e irmãos.
Então, rabisquei assim e compartilho também via web:
Leia. Releia. Reflita. Presenteie.
Todas as pessoas vêm ao mundo como seres interativos, mas desde cedo muitos homens, se não a maioria, são condicionados a se afastar dos próprios sentimentos e achar a sua identidade na dominação e na independência, e não no afeto e comunhão. Li em algum lugar que “os homens têm um medo grande de que se tornar ‘nós’ apagará seu ‘eu’, seu senso de individualidade”. Para a maioria das mulheres, o “eu” é sempre meio poroso, enquanto o “nós” é a salvação.
Esta linda passagem de um todo muito maior que parece responder por muito da contemporaneidade.
Por que solidão? Isolamento? Tristezas? Depressões? Decepções?
Como estou condicionada (o), como condiciono sem perceber meu filho? Até mesmo como entender um homem, criado pelo mundo da mãe, do pai, do coletivo?
Como estou com a minha interatividade?
Não estamos nos perdendo em comportamentos como:
Pedidos de diálogo: Amor, precisamos conversar.
Ou ainda: Um encontro fortuito, noturno repleto de intimidade sexual que vem seguido por uma total ausência de contato. O que fiz de errado que não existe dia seguinte?
Afinal, o que eu quero, enquanto mulher, e enquanto homem, não seria interagir, um ‘nós’?
E como lidar com este medo ‘condicionado’ que me parece estar dia a dia maior?
Se a vida com amigos, parceiros e intimidade aumenta o grau de saúde e longevidade, não estaria aí a resposta para a maior morbidade e menor longevidade masculina na falta de intimidade?
Que venha o ‘nós’. Nós contigo, nós comigo, ‘nós’ com muitos, com poucos.
Hoje tirar a roupa do corpo e partilhar ou não, um ou múltiplos orgasmos é normal. O encontro verdadeiro, possibilitar um “nós” está ameaçado.
...Enquanto isto a robótica se especializa em robôs sexuais. Será só comprar.
E a interatividade entre as pessoas? A intimidade?
Vamos namorar, jantares, ouvir música, velas, parcerias? Vamos iniciar o “nós”?‘
domingo, 27 de maio de 2018
Tempos: A Análise e sua Grandeza
Fazer análise? Fazer terapia? Para quê? Afinal vou dando conta.
O tempo está exigente e faminto. As demandas nos estraçalham e vamos dando conta.
O que a terapia faria por mim? No que se refere a seu parceiro, mãe, pai, filho, vizinho, emprego, seus ditos problemas continuam, nada. Então para quê?
Se nada vai mudar para que vá a uma sessão de terapia analítica? Investir tempo e dinheiro já escassos? Expor-me? Ser julgado? Confrontado?
Crenças como que dizem que nada muda que é melhor deixar assim, de que o mundo é assim mesmo, que o terapeuta sabe a resposta faz com que muitas pessoas deixem de entrar em contato consigo mesmo em sessões de análise.
O que me leva a fazer e frequentar, ou melhor, me presentar com sessões de análise?
Frequentemente atendo em clinica médica pessoas em que uma ou duas sessões de análise já mudariam o seu jeito de olhar a vida. Não são poucas as vezes que um questionamento, leva a mudar a lente com que olha a sua vida. Gosto muito de usar o dedo indicador como seta. Uma vez focando para mim mesma o trabalho ao alívio transformador já começa. É comigo? Então posso fazer diferente.
O trabalho da análise não se dedica apenas aos sofrimentos agudos, embora sua procura ocorra na maioria das vezes no momento de explosões, enchentes de lágrimas, ou poços que não se consegue sair. É a hora do pronto socorro, acolhe-se de modo a aliviar, trazer a respiração e a vida e para sair deste tempo. Em seguida se começa a olhar para os motivos pessoais de cada um aparecem questões? Por que de novo? (Onde foi que eu errei ? Não errou: Não sabia)
Como mudar esta repetição que acontece em minha vida. Como mudar este carimbo? O que posso fazer diferente? Cria-se no campo, no espaço que nos rodeia e os temas conversam com o analista e o analisando. Começam a aparecer respostas, caminhos, possiblidades a serem apreendidas. E como que por encanto os caminhos se abrem.
Penso também que o simples ato de querer lembrar-se de um sonho, trás um sonho. O ato de sentar com o analista é um movimento de querer uma transformação.
Analista não aconselha. Analista não dá muita ideia, abre possibilidades. Abre o tema. Amplia. O analista não sabe fazer a vida por ninguém, quiçá por ele mesmo, à custa de longa e constante dedicação a seu próprio autoconhecimento. Mas o analista ouvirá calmamente que você quer mudar seu pai, mãe, marido, filho, emprego, mas estará atendo a lhe mostrar o que você veja pode mudar em si. A mudança é em si.
Tenho assistido inúmeras curas de relação mãe e filha. Emocionante. Puro amor.
Tenho observado novas doenças, o aumento da inconsciência e a procura de terapias e pílulas mágicas. Enquanto o tempo voa na semana voa também nossa vida. Vamos adiando a nós mesmos.
Ontem escrevi no whats para uma das minhas melhores amigas: Me preparando para morar mais dentro de mim. E ela me respondeu: Nossa! Que barato. Vais encontrar belas imagens.
Talvez seja este o convite que faço ao recomendar o autoconhecimento através da Análise Junguiana, percorrer amplamente o mundo externo, sem deixar de morar dentro de si. Estou me propondo estar mais tempo dentro, e trazer estas belas imagens para fora. A mudança é como a flor, abre de dentro para fora.
sábado, 26 de maio de 2018
Comentários
Querido leitor.
A finalidade deste blog é gerar um relacionamento entre almas. Meu crescer. Seu crescer. Meu aprendizado de amor e seu amor.
Então me coloco a disposição para receber e responder em privativo comentários e questões, conversas internas que venham a engrandecer nossos seres em valores humanos.
Denise
Sonhos enevoados!
Acordo e não lembro.
Acordo e procuro. Aparecem imagens. Aparecem espaços. Aparecem pessoas. Aparecem sensações e emoções.
O que fazer? Afinal gostaria tanto de lembrar. Aceito. Aí as imagens se movem, havia uma tia, havia um espaço muito grande, foram muitos sonhos, ou uma grande abrangência? Qual a sensação? Era amplo. Trazia muitas mensagens, que não foram apreendidas pela mente consciente, aquela que pensa.
Nada a fazer, mas vendo como um espaço amplo enevoado, a sensação é quase como estar vendo em um mergulho, e é. Foi um mergulho ao inconsciente.
Como não pensar nos olhos do dia a dia com que olhamos sem ver a maioria dos temas de nossas vidas?
Então sonhar amplo, enevoado, já passa a trazer mensagens. Mensagens da grandiosidade diurna que está sem foco consciente.
Sabe aquele ir levando!
A gente está bem. A gente se sente bem. Nada incomoda. Não há nem a pedra capaz de trazer a transformação. Um silêncio.
Aí à noite com clareza nos leva por um grande passeio. Tristemente quando se acorda não se consegue lembrar. Mas, sempre existe um, mas, nesta vida de infinitas possibilidades àquele que persiste, cuidadosamente e sem pressa. Você pode revisitar a noite.
E nesta revisita qual a sensação que fica?
A bondade do Universo. Situações novas chegando e ainda desconhecidas, situações de apoio, transformações ainda enuviadas. Nesta mesma noite poderia ter sido diferente. Sensações de perigo, de susto, de medo, mesmo sem enredo.
Em sonhos o importante é não ir pelo literal e ver como uma pintura. Vou citar um pintor, pois acredito que através da arte se vê mais do que as palavras conseguem dizer. Abra o link de pinturas de Joseph Mallord William Turner. Admire.
Depois atente para seu sonho, uma obra de arte, repleto de mensagens para você.
p.s. Dedique-se a um passeio junto a imagens deste pintor britânico que esteve entre nós de 1775 a 1851, William Turner. Imagens capazes de acessar muito do desconhecido em si.
sexta-feira, 27 de abril de 2018
Regeneração e Ritmos
Regeneração e Ritmos
Minha postagem anterior, falava das feridas diárias. Quero agora colocar poucas linhas das cicatrizações instantâneas diárias.
Há um equilíbrio constante atuando em nós, há a energia psíquica, que regride e progride, há em nossa matéria um constante “estragar” e reordenar, células se desorganizam e reorganizam a cada momento. A vida é rítmica. Tem musicalidade em tudo, toques de arte em toda nossa vida.
Às vezes estamos em um momento como que a ouvir um Quarteto de Cordas tardio de Beethoven e para nós esta linguagem nos parece incompreensível.
Talvez, não se tenha chegado o tempo, não apenas o tempo chronus, mas eis que o kairós se apresenta o tempo em que algo especial acontece.
O tempo não apenas cronológico, aquele em que acontece um Dar-se Conta.
De quê? De que não somos parte, somos um todo, célula única com o todo, e ao mesmo tempo singular, e que há o Poder Ordenador Maior, cria-se caos e cria-se ordem.
Acordando... espreguiçando
Acordando e espreguiçando, ou ainda espreguiçando e acordando.
Dia a dia tenho ouvido, compartilhado, temas e momentos na vida que pareciam envoltos por paredes escuras de poços. Poços, pois pareciam maiores que buracos em que ainda se vê o céu, as bordas e ainda se ouve vozes e sons de pássaros.
Um a um se delinearam em minha frente e me tocaram deixando pequenas picadas, pequenas feridas abertas que vinham com o partilhar de palavras e vivencias reais repassadas como contadores de historias, mas não da antiguidade e sim do dia a dia, o que se chama de contemporaneidade.
Comecei a perceber, sentir, e refletir sobre qual o possível sentido e significado destas feridas abertas em mim, sem o tempo para que as células e epitélio pudessem regenerar.
Encontrei nas palavras de um poeta, que ainda me lembrava de seu ultimo verso, agora transcrevo somada a uma pitada de comunhão e compaixão.
De John Donne, poeta inglês (1572-1631):
Nenhum homem é uma ilha, cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa inteira fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano.
E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti. Acordando, espreguiçando, espreguiçando e acordando ou ainda significando.
A natureza e também a arte têm sido medicamento. Estão sempre ao alcance, mas sem a parada do ritmo em nosso ritmo alucinado, não se acorda, nem se espreguiça e, às vezes nem se respira.
Temos estrelas, lua, cascatas, verde, nasceres e por do sol diários, pássaros que cantam, mas dentro de poços, podem se tornar invisíveis e continuarmos insensíveis ao medicamento, como diz na urocultura, resistentes.
Até que, até que... De dose em dose, o cosmo vai medicando, e no ato de se espreguiçar percebi que se tratava da ação de um medicamento. Primeiro um espreguiçar. No dia seguinte uma janela que se abre. Depois um planejamento criativo. Um tempo para si. Uma frase de poeta. E eis que o poço desaparece e fora dele, pode-se observar, e apreender a fase sombria como aprendizados.
Aprendizados estes todos já poetados por John Donne, talvez num dia de fog londrino.
Aberta para a medicação poética e recebendo-a novamente me vi como partícula do todo, parte da terra, diminuída e ferida como todos. Com a medicação e saindo do poço, estendo a mão, pois somos humanos, demasiado humanos.
Não há como esquecer.


